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Fernando Pessoa

Tópico: Você conhece alguma poesia, frase famosa???Então...se anime....colabore....e iremos enriquecer !!!!

Sol
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NÃO DIGAS NADA!

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada dizer
E tudo se entender
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer.

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
01:59 - 17/04/2006

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Respostas ao tópico: Você conhece alguma poesia, frase famosa???Então...se anime....colabore....e iremos enriquecer !!!!

liberty
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Como a noite é longa !

Como a noite é longa !
Toda a noite é assim...
Senta-te, ama, perto
Do leito onde esperto.
Vem p'r'ao pé de mim...
Amei tanta coisa...
Hoje nada existe.
Aqui ao pé da cama
Canta-me, minha ama,
Uma canção triste.

Era uma princesa
Que amou... Já não sei...
Como estou esquecido !
Canta-me ao ouvido
E adormecerei...

Que é feito de tudo ?
Que fiz eu de mim?
Deixa-me dormir,


Dormir a sorrir
E seja isto o fim.

19:41 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.


19:44 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Enfia a agulha

Enfia a agulha,
E ergue do colo
A costura enrugada.
Escuta : (volto a folha
Com desconsolo).
Não ouviste nada.
Os meus poemas, este
E os outros que tenho _
São só a brincar.
Tu nunca os leste,
E nem mesmo estranho
Que ouças sem pensar.

Mas dá-me um certo agrado
Sentir que tos leio
E que ouves sem saber.
Faz um certo quadro.
Dá-me um certo enleio...
E ler é esquecer.

19:46 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Enfia a agulha

Enfia a agulha,
E ergue do colo
A costura enrugada.
Escuta : (volto a folha
Com desconsolo).
Não ouviste nada.
Os meus poemas, este
E os outros que tenho _
São só a brincar.
Tu nunca os leste,
E nem mesmo estranho
Que ouças sem pensar.

Mas dá-me um certo agrado
Sentir que tos leio
E que ouves sem saber.
Faz um certo quadro.
Dá-me um certo enleio...
E ler é esquecer.

19:49 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Epitáfio Desconhecido

QUANTA mais alma ande no amplo informe,
A ti, seu lar anterior, do fundo
Da emoção regressam, ó Cristo, e dormem
Nos braços cujo amor é o fim do mundo.





* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
19:52 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Estás só. Ninguém o sabe.




Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.

Mas finge sem fingimento.

Nada 'speres que em ti já não exista,

Cada um consigo é triste.

Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,

Sorte se a sorte é dada.




* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
19:54 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Era isso mesmo

ERA ISSO mesmo -
O que tu dizias,
E já nem falo
Do que tu fazias...
Era isso mesmo...
Eras outra já,
Eras má deveras,
A quem chamei má...

Eu não era o mesmo
Para ti, bem sei.
Eu não mudaria,
Não - nem mudarei...

Julgas que outro é outro.
Não: somos iguais.
19:56 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Estas Verdades


Estas verdades não são perfeitas porque são ditas.
E antes de ditas pensadas.
Mas no fundo o que está certo é elas negarem-se a si próprias.
Na negação oposta de afirmarem qualquer cousa.
A única afirmação é ser.
E ser o oposto é o que não queria de mim.



* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
19:58 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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É tão Suave




É tão suave a fuga deste dia,

Lídia, que não parece, que vivemos.

Sem dúvida que os deuses

Nos são gratos esta hora,





Em paga nobre desta fé que temos

Na exilada verdade dos seus corpos

Nos dão o alto prêmio

De nos deixarem ser





Convivas lúcidos da sua calma,

Herdeiros um momento do seu jeito

De viver toda a vida

Dentro dum só momento,



Dum só momento, Lídia, em que afastados

Das terrenas angústias recebemos

Olímpicas delícias

Dentro das nossas almas.





E um só momento nos sentimos deuses

Imortais pela calma que vestimos

E a altiva indiferença

Às coisas passageiras





Como quem guarda a c'roa da vitória

Estes fanados louros de um só dia

Guardemos para termos,

No futuro enrugado,





Perene à nossa vista a ce
20:00 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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certa prova

De que um momento os deuses nos amaram

E nos deram uma hora

Não nossa, mas do Olimpo.
20:02 - 06/10/2007 Apagar
liberty
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Eu

SOU LOUCO e tenho por memória
Uma longínqua e infiel lembrança
De qualquer dita transitória
Que sonhei ter quando criança.
Depois, malograda trajetória
Do meu destino sem esperança,
Perdi, na névoa da noite inglória,
O saber e o ousar da aliança.

Só guardo como um anel pobre
Que a todo herdeiro só faz rico
Um frio perdido que me cobre

Como um céu dossel de mendigo,
Na curva inútil em que fico
Da estrada certa que não sigo.
20:04 - 06/10/2007 Apagar
Donato
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ESCRITO NUM LIVRO ABANDONADO EM VIAGEM ( ÁLVARO DE CAMPOS )

Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
Não trago nada e não acharei nada.
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei.
E a saudade que sinto não é do passado nem do futuro.
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram.
21:01 - 06/10/2007 Apagar

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